quarta-feira, 25 de março de 2009

Orgulho que nem todos merecem ter

Por FÁBIO PERES

Retrato da superioridade.

Nada mais justo do que me apresentar antes de começar a escrever. Podem me chamar de Bio. Torço pelo Santos Futebol Clube. Todo o mais é dispensável. Qualquer característica da minha personalidade sucumbe diante desta: sou santista desde sempre.

E vamos ao que interessa:

Domingo fui ao Pacaembu, em meio a dois mil santistas acompanhar o clássico. Apesar de considerar o São Paulo o nosso maior rival, vejo no Corinthians um Santos-ao-contrário que me incomoda e me faz odiar perder pra eles mais do que o normal. Explico.

Acompanhei poucos títulos do Santos. Mas todos os momentos de vitória que eu vi do nosso time foram místicos, incontestáveis e admiráveis. Por outro lado, vi muitos títulos do Corinthians e quem acompanha futebol sabe bem sob qual atmosfera a grande maioria deles foi conseguido: imprensa, arbitragem e bastidores influenciando e impulsionando a conquista.

Dou mais valor ao Campeonato Brasileiro de 95 que perdemos, do que ao brasileiro de 2005 que o corinthians ganhou. Enquanto temos uma série de títulos morais, os sem-estádio da marginal acumulam um monte de títulos imorais.

Enfim, voltando ao jogo, não vou me focar na parte tática, técnica, nem criticar o Vágner Mancini. O que me deixou chateado foi a passividade de alguns jogadores diante de derrota. Principalmente do Kleber Pereira, ícone desse desinteresse. Costumo dizer que quem ama não espera só vitórias, portanto não ousaria exigir isso do meu clube do coração. Mas o mínimo que alguém anseia ao torcer é que o jogador honre a camisa que veste, entendendo que o símbolo que ele carrega simboliza a paixão de milhões de pessoas. Kleber Pereira não tem essa noção, ou pior... nem liga. Joga por si, num egoísmo ímpar, capaz de não comemorar os gols alheios, ainda que esteja num coletivo. Deveria praticar algum esporte individual, ser nadador, sei lá.

Não nego que seus gols foram importantes no ano passado para que não caíssemos – ainda que, se não fossem eles, daríamos um outro jeito. O Universo conspira para que times grandes não caiam – e não é dos gols que eu reclamo. Um time é um coletivo que busca o mesmo objetivo, briga junto, faz força para a mesma direção. Não há artilheiro no mundo que consiga, com seus gols, suprir a necessidade da coletividade. Enfim, os gols que o Kléber Pereira faz não são suficientes pra compensar o desfalque que ele causa com sua postura apática em campo.

No mais, fica o meu orgulho de ser santista. A certeza de que, não importa o que façam, quanto briguem, quanto a mídia fale, muito menos o resultado do jogo de ontem. O Santos é maior que o Corinthians, essa é uma das verdades absolutas e um dogma universal.


Ps.: Soube que o Vágner Mancini deu uma declaração nesse mesmo sentido – falando da apatia do jogador. Fico feliz de ele ter tido a coragem de manifestas essa insatisfação. Espero que o Kleber agora adote outra postura nos jogos.

2 comentários:

  1. Clássico é assunto tão importante que rende papo até quarta-feira...

    PEDRO

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  2. Sobre a apatia do Kléber Pereira: sim, é nítido que ele não é dos mais aplicados e que, em algumas situações, não comemora gols de outros jogadores. Mas só quero ver achar alguém com a média de gols do cara. Tarefa difícil. Na minha opinião, ele funciona como uma referência, é importante demais para o time do Santos.

    PEDRO

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