terça-feira, 31 de março de 2009

O fiel da balança

Por FÁBIO "BIO" PERES


“Se trabalho fosse bom não pagariam
Algumas coisas nem a força se combinam
óleo e água, e eu com trabalho
Hoje não vou trabalhar.”
Maleducados – Hoje não vou trabalhar


A decisão antecipada de quinta-feira, que como todos sabem acontecerá em horário comercial, despertou em mim um dilema complicado de se resolver. Seguir a paixão pelo Santos e mentir no trabalho com a chance de ser pego ou renegar a vontade imensa de participar de mais essa – oxalá bangalô três vezes pra dar sorte – conquista do meu Santos?

É claro que a chance de a minha chefe descobrir que fui ao jogo é mínima, mas tenho um impedimento moral para faltar. Fui criado por uma mulher trabalhadora, que me ensinou a importância do comprometimento com o local que paga meu salário. Mas recebi também a educação de um homem apaixonado pelo Santos, que me mostrou o tamanho dessa instituição, cativou em mim o amor por ela e deixou claro como é bom ser santista.

Já trabalhei com febre, dor de cabeça, depois de morte de parente, em locais bons e ruins. Acredito na máxima de que o trabalho enobrece o homem e sou contra a vagabundagem declarada que impera hoje em dia, mas me sinto impelido a ir contra toda essa lógica e abrir mão dos meus princípios em nome de uma paixão (e tantos já fizeram isso).

Tento levar sempre ambas em consideração, razão e emoção. Quando há divergência – não raramente –, opto quase sempre pela primeira. Mas não dessa vez. Não posso confiar cegamente naquela que exclui dos meus planos o meu primeiro amor, um dos mais verdadeiros.

É preciso colocar na balança essas duas coisas, trabalho e paixão. Só vou para a labuta todos os dias porque me pagam para isso, mas torço pelo Santos de graça (e quase sempre tirando uma grana do bolso, porque poucos prazeres da vida são 0800), então não restam dúvidas.

Nessa quinta-feira eu e mais vários santistas abandonaremos nossos empregos em prol de um amor comum. Sem arrependimentos.

Concluindo nas palavras de Pascal; “O último esforço da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam.” E o Santos Futebol Clube ultrapassa os limites da minha.


Ps.: Perdoem a imagem tosca, mas meu conhecimento de photoshop só vai até aí e não achei nada adequado no Google Images.

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