terça-feira, 24 de março de 2009

Erro de Mancini e violência marcam o clássico

Por PEDRO LOPES

No texto anterior, o Noronha preferiu destacar a questão da arbitragem no clássico de domingo. É lógico que a arbitragem do egocêntrico Rodrigo Cintra foi atrapalhada. Inverteu lances (a reversão no fim do jogo foi, no mínimo, absurda), distribuiu cartões equivocados (como pode um goleiro ser punido por tentar retardar a saída de bola sendo que seu time está perdendo?), além de não coibir tapas e intimidações dentro de campo. Contudo, creio que outros assuntos do jogo tenham mais importância.

O erro de Mancini
Vagner Mancini errou no domingo e sabe disso. Tanto é que, enquanto deixava o campo do Pacaembu, mostrou certo abatimento. Escalar Lúcio Flavio sozinho na armação das jogadas foi um erro que deixou o time sonolento. O mais correto seria tirar um atacante e promover a entrada do Madson, o que faria do Santos um time muito mais leve, rápido.

Ao confirmar a escalação de Neymar, Mancini esperava que ele pudesse recuar um pouco para ajudar Lúcio Flavio na armação das jogadas e que ainda marcasse ajudasse na marcação. Não foi o que aconteceu. O garoto sentiu o peso do clássico e não rendeu o esperado.

Vale deixar claro que o Lúcio Flavio, apesar das más atuações no Santos, ainda merece um pouco de atenção. No Botafogo, já provou que, em forma, pode jogar um futebol objetivo, mesmo sem ter tanta velocidade. O que não pode acontecer é desembolsar uma quantia alta e aproveitar mal o jogador.

Não é nenhuma novidade a predileção de Mancini por times ofensivos. Pode não ser o mais indicado, mas o Santos até teria condições de jogar assim. O esquema ousado adotado no domingo já deu certo em outras equipes dirigidas pelo técnico. O bom time do Vitória do ano passado tinha o veterano Ramon mais parado ali no meio, Marquinhos e Willians bem abertos pelas pontas, além de Dinei (que acabou se transferindo para a Espanha durante o campeonato) e Rodrigão (que chegou durante a competição) como centroavantes.

De qualquer modo, não é novidade para ninguém: a torcida santista quer Madson no time titular. O baixinho vem jogando muito, não pode ficar de fora.

Violência na arquibancada volta a ser notícia
Para começar, vale destacar a imaturidade do Marcelo Teixeira (novidade...). Devemos valorizar a tentativa do presidente defender a torcida santista no episódio que será retratado nas linhas abaixo. Disse que não gostou de ver sua torcida apanhando num canto do Pacaembu e desceu de seu reservado para tentar resolver o ocorrido. Mas pegou muito mal o fato de ter se envolvido na confusão com os corintianos. Dirigente não pode agir dessa forma.

O que marcou mesmo foi a pancadaria entre a torcida do Santos e a PM, fruto de uma série de erros de todas as partes. Da diretoria do Corinthians, que destinou apenas 6% da carga de ingressos para a torcida do Peixe e acomodou os santistas ao lado das numeradas ocupadas por corintianos, o que gerou certa confusão no final. Da Polícia Militar, que mostra intolerância e que é mal preparada para fazer a segurança de tal evento. De parte das torcidas organizadas, que já vai predisposta a brigar. De jornalistas da grande mídia, que opinam sem ao menos saber o que é uma arquibancada e generalizam dizendo que todos os santistas que ali estavam eram bandidos. Eu estava no jogo e estou longe de ser bandido.

Ontem, chegaram a especular sobre a idéia de fazer clássico de uma torcida só. Não é para tanto. Caso isso se confirme, será uma derrota de nossa sociedade.

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