Sábado pode ser resumido em duas situações:
12:00 - "30 reais em um ingresso? Não dá. Se a gente for de ônibus, fica 92 reais o total...Sem condições, deixa pra próxima."
13:00 - "O quê? Carona? 20 mango só além do ingresso? Tô nessa, vambora! Carro de quem? Nem tu conhece? Dane-se, vamos sim, tô indo lá comprar meu ingresso!"
Domingo, em muitas.
Viajamos meio desacreditados, desfalcados de Fábio, que estava em Curitiba, e com a sensação de que estava difícil a vaga. Mas o clichê "Com o Santos onde e como ele estiver" se encaixava perfeitamente nesse caso. Independente da dificuldade, estávamos lá.
Durante a viagem, que já começou atrasada, pensamos que não daria tempo de chagar graças à demora dos caronas de São Paulo. Foi um momento tenso, mas pelo menos havia um sofá na estrada para descansarmos. Sim, sofá. Há coisas que só acontecem nas nossas viagens...
Descansados, partimos rumo à Campinas e supreendentemente a viagem durou menos de 3 horas. E ao chegar, estávamos perdidos, sim, mas com nossa habitual sorte passamos por 2 policiais que nos escoltaram até o estádio.
Lá, a tensão aumentou, primeiro porque quebrou o pau numa rua lateral, pela qual a torcida da Ponte tentou invadir nossa área reservada. Segundo, porque o sol estava pior que o centro de Santos ao meio-dia, e nem muitas cervejas melhoraram.
Estava chegando a hora...

Antes de entrar, ainda encrencaram com a mochila que levávamos. Bati um papo como Tenente da partida, que liberou a entrada, o que fez da mochila a única dentro do estádio.
Ao entrar, começa a emoção. Logo chegava a notícia, 1 a 0 Portuguesa. Desespero. Mas ainda dava. Chega outra: 2 a 0 Lusa. Desligado o radinho, pra não dar azar. E o Santos nada... GOOOOOOL! Primeira vibração do dia acompanhadaa de gritos de "FALTA UM VAMO VAMO SANTOOOOS". Intervalo.
Nesse momento, as informações chegavam totalmente erradas. Havia gente dizendo que já estava 2 a 1 no Canindé, com gol do Moraes pro Santo André. Loucura.
O Santos atrasando, todos tensos. Começa o segundo tem...ops, gol da Ponte. Ixi, mais um. Acabou. Eu olho pro Pedro e faço o sinal de que acabou, ele concorda. Mas claro que ninguém parou de gritar. Nessa hora, a torcida explodiu de vez. Na verdade não, mas deveria, afinal saía um gol do Santo André lá, mas ninguém avisou. Fomos descobrir que tinha sido 2 a 1 apenas já em São Paulo voltando.
Isso porque o Pedro estava com o radio ligado na orelha...
O tempo passava, nada acontecia. Só a torcida da Ponte gritando "ADO A ADO GUARANI FOI REBAIXADO", foi engraçado pelo menos.
Mas o nosso desespero aumentava.

Nessa hora começamos a ver gente já conformada com a eliminação. Mas a gente não. Pulando no alambrado, na arquibancada, correndo pra lá e pra cá (a arquibancada do Moisés é diferente, tem uma área plana). Mas nada de gol...ops, GOOOOOOOOL! Kléber Pereira empatava, explosão da torcida. Não comemorávamos tanto um gol desde o jogo com o Grêmio...
Nessa hora começamos a ver a emoção real. Gente parando de ver o jogo pra ajoelhar e rezar. Gente pulando loucamente nas grades. Acreditando, acima de tudo.
"VAI VAI VAI SANTOS SOCOU A BOLA PROFESSOR MARCA MAAAARCOU É PÊNALTIIIIIIIIIII", esse momento foi inacreditável. O pênalti foi mais comemorado que o gol em si. Sério, foi tocante a comoção com a marcação da falta. Gente rolando no chão. Rolando, acredite. Mais pessoas abandonaram a visão do jogo pra ajoelhar, rezar, e esperar a explosão da galera pra saber que era gol.
E explodiu. O gol foi mais um desabafo que outra coisa, não foi tão comemorado. Foi mais comum ver braços apontados ao céu do que gritos de gol. A vaga era nossa.
Acabou, Fábio Costa e o elenco pendurados na grade. Sem mais palavras, tudo valeu a pena.
A volta foi só comemoração.
O que importava, já havia acontecido.
Nós, estaremos na Vila sábado, no Palestra na semana seguinte.
Estamos vivos.
E agradecemos aos céus por isso. Como todos que lá estavam ajoelhados...

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